Mulheres: O preço
de uma família
Teoricamente, as
empresárias, as mulheres que “alcançaram tudo”, não parecem ter problemas com
dinheiro ou de igualdade. Contudo, há notícias assustadoras.
Três alunas
venceram um prêmio concedido à melhor idéia empresarial que, caso não fosse
real, poderia ser tirada do famoso livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, do qual muitas profecias já
foram cumpridas. Esta poderia ser mais uma: “Programe sua vida e também sua
carreira como se fosse um fundo de pensão... congele seus óvulos e tenha um
filho quando já tiver vencido”.
A cada ano, os
alunos do programa Master elaboram um “bussiness plan”, analisado e
qualificado por um jurado. Este ano, o primeiro lugar foi para umas peculiares
empreendedoras, cujo trabalho estaria centrado em “melhorar a vida das
mulheres”. Como? Por meio de uma gama de serviços que possibilitem parar o
relógio biológico de acordo com a vontade. O argumento defendido por tão
singulares vendedoras do produto foi: “Nas mulheres, a idade fértil coincide
com a época de ascensão profissional... a única solução é atrasar a
maternidade. Deste modo, podemos ter tudo.”
Tudo? A que
preço? Este é o problema: querer ter tudo... sem mudar
nada – nas entrelinhas está claro – para atingir a meta. Equivale a seguir o
papel do homem do século passado, ou seja, aceitar, de cara, que não há nada a
ser mudado na empresa e na sociedade. Para elas, não existem políticas de
conciliação trabalho-família ou correções de rota.
Para uma boa
profissional, a flexibilidade de tempo e de lugar, como modo de trabalho, é vista
com receio em detrimento das longas horas no escritório. A realidade é assim e
a aceitam... mudando o que são, quer dizer, mulheres
com ambição não apenas profissional, mas também familiar.
Caso a empresa
não incorpore a maternidade e a paternidade como um valor da empresa, será
impossível querer humanizá-la. Como sabemos, a
discriminação no trabalho não se deve ao sexo, mas à maternidade. “Venham
mulheres, estudem, trabalhem, votem, sejam tudo... menos mães”. Esta é a ilusão
mais perversa da igualdade oficial, da louca vida do trabalho em que andamos
imersas. Somos nós, com a cumplicidade dos homens, que devemos mudar essa
realidade, dia a dia.
Por Nuria Chinchilla,
Profesora del
IESE.