Conciliando filhos
e trabalho
Para muitos
pais, cada dia se torna mais difícil conciliar trabalho e educação dos
filhos. Muitos se sentem frustrados,
culpados e impotentes devido à falta de tempo para estarem junto dos filhos,
por se verem forçados a entregar sua educação aos cuidados de terceiros, por
não poderem participar dela e acompanhá-los mais de perto em suas atividades
etc. Todos nós sabemos que os pais constituem a base na estruturação da
personalidade de seus filhos. O que não se pode admitir é que essa base tenha
que ficar mais distanciada deles, em conseqüência de um trabalho ou emprego.
Embora seja
inquestionável que esse "abandono" repercute na formação da
identificação das crianças, o certo é que elas acabam se acostumando e se
adaptando, de uma forma ou de outra, a qualquer tipo de situação. É verdade que
alguns sofrem a princípio, mas acabam por se habituar à rotina de sua família.
Em momentos especiais, sentirão ainda mais falta, mas infelizmente em muitos casos nada
se pode fazer para solucionar essa situação.
Educação a distância
Em situações
como a dos pais que trabalham fora, e por isso têm que
passar o dia inteiro longe de casa e dos filhos, é preciso pensar num modo de
programar momentos de encontro entre todos da família. A atitude dos pais,
nesse sentido, precisa ser constante e bem planejada,
já que todos os filhos necessitam igualmente do afeto, da atenção e do contato
físico de seus genitores. Esse tempo que os pais partilham com as crianças
representa uma incalculável riqueza, em todos os sentidos, e para ambas as
partes. Ainda que seja pouco esse tempo, deve tratar-se de uma reunião familiar
na qual os pais se encontrem totalmente voltados para
os filhos, demonstrando atenção e interesse em ouvi-los e escutá-los no que têm
a dizer das suas experiências vividas.
Todavia,
acrescentam os psicólogos que os pais devem agir com naturalidade, não como se
cumprissem uma
obrigação, visto que as crianças têm uma sensibilidade tão acurada que as faria
perceber a falta de um real prazer e de alegria dos pais nesses momentos,
podendo interpretar a atitude deles como "não me amam", ou como
"eu os aborreço", ou ainda "não apreciam o que faço". A
espontaneidade nessa relação de pais e filhos é demasiado importante.
Os pais não
devem se sentir culpados por terem que trabalhar. Porém devem estar, sempre que
possível, no melhor e no pior, ao lado de seus filhos, brincando e conversando
com eles. Se as crianças obtêm a atenção e o amor de que tanto necessitam, o
vínculo afetivo com os seus genitores estará garantido, por ter sido
estimulado, o que concorre para o aumento de sua auto-estima e confiança. Os
filhos precisam saber que, mesmo estando longe de seus pais, deverão seguir as
regras deles. Não é apenas na presença dos genitores que a sua educação se
consolida.
Qual seria a
forma ideal?
A necessidade de
conciliar vida familiar e profissional não pode desvincular-se da idéia de corresponsabilidade na família e na própria sociedade.
Devemos estar conscientes de que as pessoas devem ser valorizadas pelo que são,
enquanto pessoas, e não pelo que têm.
Teresa López,
decana da Universidade Complutense de Madri e
vice-presidente da fundação Ação Familiar, declara, em um de seus artigos, que
é tempo de se pensar em uma mudança de cultura, através da qual a família
recobre o protagonismo merecido, como estrutura
básica, que de fato é, de uma sociedade bem construída
e equilibrada. Para isso, propõe três linhas de pensamentos, para posterior
reflexão:
1- A responsabilidade de criar
filhos e educá-los é exclusivamente da família.
A sociedade, em geral, e os poderes públicos devem colaborar para que a
família tenha condições de cumprir as suas funções, porém nem a eles, nem a
ninguém mais compete arbitrar políticas que substituam o próprio núcleo
familiar. Não se trata de estender os horários dos colégios até as dez da noite para que
as crianças "não incomodem", ou sobrecarregá-las de atividades
extra-curriculares a fim de que, deste modo, mães e pais possam trabalhar sem
ter que ocupar-se delas. Existe uma absoluta desconexão entre os horários de
nossos filhos e os de nossos trabalhos. Não faz sentido que os horários
irracionais de trabalho obriguem a prolongar a permanência das crianças fora do
lar. O que é preciso é defender e respaldar uma mudança em nossa
cultura, no que se refere ao emprego do
tempo.
2- As decisões tomadas no seio da
família dizem respeito exclusivamente ao nosso âmbito privado. Se temos filhos, ou não, é uma decisão familiar, e embora
deva permanecer portas adentro, evidentemente suas conseqüências extrapolam o
âmbito da própria família, o que significa que existem fortes inter-relações
entre as decisões que se tomam nas famílias e a própria sociedade. Uma afeta a
outra, quando não deveria
ser assim.
3- Quando se fala de conciliação
familiar e profissional, normalmente se fala de políticas públicas, concebidas
como políticas de mulher, pelo que estamos falhando na base. A família é uma
unidade que em si mesma contribui com a sociedade muito mais do que possa
contribuir a soma de cada um de seus membros, motivo pelo qual essas
políticas de conciliação devem abranger mais que os direitos da mulher, indo
além e incorporando-se ao debate dos direitos de todos os membros da família, e
com a mesma intensidade. A conciliação da vida familiar e profissional nunca será
possível se não existir a devida co-responsabilidade, a qual exige que se
valorize não somente o trabalho que a mulher assume dentro do lar, isto é, o
trabalho basicamente educativo que realiza com seus filhos, mas também o seu
desempenho profissional.
A sociedade irá
mudando à medida que as responsabilidades estiverem convenientemente bem
repartidas entre homens
e mulheres.
Fonte: Edufam - http://www.edufam.es/mostrar_recurso.php?id=2841