Cada vez mais cedo
Os jovens
nunca foram tão bem informados
e precoces em relação ao sexo. Nem por isso
estão menos confusos sobre o assunto
Os
adolescentes de hoje são a geração mais bem informada sobre sexo de todos os
tempos. Eles têm aulas de educação sexual na escola, lêem a respeito nas
revistas, vêem os reality shows da
televisão e, se restar algum vestígio de dúvida, há sites na internet que
respondem a qualquer questão sobre o tema. Os jovens não apenas sabem muito
como não há amarras sociais nem familiares que verdadeiramente os impeçam de
passar da teoria à prática no momento escolhido por eles próprios. Nada disso,
vale dizer, impede que estejam confusos e divididos sobre temas como
virgindade, fidelidade, namoro e casamento. O conhecimento também não é
suficiente para evitar descuidos, como sexo sem camisinha. Por ano, nasce 1
milhão de bebês de mães solteiras adolescentes no Brasil. "O início da
vida sexual é um processo extremamente complexo para qualquer pessoa, de
qualquer geração", diz Paulo Bloise, psiquiatra
da Universidade Federal de São Paulo, especialista em adolescência.
A
persistência das angústias em relação à vida amorosa, apesar do conhecimento e
das liberdades atuais, tem uma explicação óbvia. "Sexo não é só uma
questão de informação, mas também de maturidade", pondera o psicólogo
Mauricio Torselli, do Instituto Kaplan, centro de
estudos da sexualidade
A
precocidade e a ousadia dos primeiros relacionamentos são uma
característica de hoje. A idade da primeira vez das meninas é 15 anos, de acordo com pesquisa da Unesco nas principais
capitais do país. A dos meninos, 14. O surpreendente é que muitos jovens que
têm vida sexual ativa não começaram com um namoro firme, mas com alguém com
quem "ficava" – ou seja, com um quase desconhecido. Ficar é o nome
dado a sessões de beijos e abraços mais ousados. A diferença entre essa relação
e o namoro tradicional é que a primeira é descompromissada e passageira. Uma
menina que fica com um colega numa festa não precisa tratá-lo como alguém
especial ao vê-lo no colégio no dia seguinte. A pressão sobre os adolescentes
para que iniciem a vida sexual ativa deve fazer com que os jovens se sintam num
túnel de vento. Como tomar a decisão? A única resposta é: pense bem se você
está preparado e se é isso mesmo o que quer. "Um risco é o jovem, de tanto
ouvir falar de sexo, ter a falsa idéia de que crescer significa ter quanto
antes uma relação sexual", diz o psicólogo paulista Antonio Carlos Egypto, do Grupo de Trabalho e Pesquisa
(Revista veja)